segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Memórias da Senhora Conceição

Eram assim os tempos: aprendia-se na escola e ficava para a vida. A Senhor Dona Maria ensinou tudo às meninas de Rebordainhos que, hoje, sendo a geração dos mais velhos, ainda reproduzem, de cabeça, aquilo que aprenderam. Eis a senhora Conceição que, sem errar uma letra, disse de cabo a rabo cada um dos três poemas que, a seguir, se transcrevem.

Disse, não. Declamou! Eu não estava lá, não ouvi, mas olhando para as fotografias percebe-se bem com que entrega e alegria ela o fez. É assim mesmo, senhora Conceição. Bem-haja por isso e por muitas outras coisas.

Fátima Stocker


OS CASTANHEIROS


Que lindos Outeiros
Ao longe a Montanha
Que bons castanheiros
Que bela castanha

Por entre os arbustos
Do souto já velho
Fumega o magusto
Há lume vermelho

A gente da aldeia
De roda à porfia
Cantando semeia
Canções de alegria

Que vida tamanha
Por estes Outeiros
Que bela castanha
Que bons castanheiros



O CARVALHO ESBURACADO

Caem folhas de uma a uma
Na relva verde do prado
São folhas dos castanheiros
Do choupo e dos sobreiros
Do carvalho esburacado

As folhas amarelinhas
Vão caindo, vão caindo
Parece o choro das plantas
Martirizadas e santas
Pelo sol que vai fugindo

A planta fica despida
Fica triste, fica nua
Assemelha-se a um pobrinho
Sem amparo, sem carinho
Como estes que andam na rua

Pobre planta sem folhinhas
A tremer, a tiritar,
É como um bebé sem lar
Para aquecer as mãozinhas.



CASEBRE DOIRADO

Vivo além no meu casebre
Onde há cheiro a rosmaninho
Onde nasceram meus pais
E os rouxinóis fazem o ninho

Foi lá que aprendi a rir
A cantar, a trabalhar
Saio sempre entre cantigas
E volto sempre a cantar

Dizem que no meu casebre
Tudo aparenta a pobreza
Não me importo do que eles dizem
Se para mim tudo é riqueza

Eu não troco o meu casebre
Por um palácio doirado
Que não cheira a rosmaninho
Nem tem ninhos no telhado

Fotografias da Céu Fernandes

____

Nota: o poema dos castanheiros (a que acrescentam refrão) integra o cancioneiro do Rancho Folclórico de S. Tiago, de Mirandela. Quem quiser ver a página desse rancho, pode clicar sobre o sublinhado

domingo, 19 de outubro de 2008

Castanha da Terra Fria - DOP

Castanha da Terra Fria - DOP (Denominação de origem protrgida)
Zona de Origem: A área geográfica de produção está circunscrita aos concelhos de Alfândega da Fé, Bragança, Chaves, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Valpaços, Vimioso e Vinhais.
Castanhas provenientes de cultivares regionais (Longal - mais de 70% -, Judia, Côta, Amarelal, Lamela, Aveleira, Boa Ventura, Trigueira, Martaínha e Negral) de Castanheiro europeu, muito brilhantes, de forma elíptica alongada e boa aptidão para o destaque. O castanheiro tem e teve, desde sempre, uma importância fundamental para as populações de Trás-os-Montes, primeiro como recurso alimentar essencial e depois como uma das principais fontes de rendimento.
Aroma e Sabor: Sabor característico
Apanha e Tratamento: Não é permitida a aplicação de tratamentos fitoquímicos às árvores e, como tal, os frutos estão isentos de resíduos e pesticidas. A recolha dos frutos é feita no chão, para que a maturação seja completa, não sendo permitido nenhum método mecânico de apanha. Os frutos são colhidos por variedade e agrupados em lotes. O acondicionamento deve ser feito em local seco e arejado.
Área de Produção (ha): 110000
Coloração: Cor castanha avermelhada, muito brilhante, com estrias longitudinais escuras
Forma de Comercialização: Existe nas variantes de castanha fresca e castanha transformada (pilada, congelada, confitada ou em calda), devidamente acondicionada e identificada.
Legislação Aplicável: A área geográfica delimitada de produção consta do Despacho 44/94, de 20-01, o qual também reconheceu a Denominação de Origem. A TRADIÇÃO E QUALIDADE foi reconhecida como Organismo Privado de Controlo e Certificação pelo Aviso do DR nº 28/94, de 03-02. A Denominação de Origem foi registada e protegida pelo Regulamento (CE) nº 1107/96, de 12-06.
Número de Produtores: 6675
Observações: DOP - Denominação de Origem Protegida
Organismo de Controlo e Certificação: TRADIÇÃO E QUALIDADE - Associação Interprofissional para Produtores Agro-alimentares de Trás-os-Montes
Produção Anual (Toneladas): 5675
Telefone (OCC): 278261410
Informação recolhida na Internet . Apesar do desconhecimento completo do assunto, fiquei com a ideia de que a Castanha produzida na Freguesia poderia ser comercializada como DOP se para isso os seus produtores aderissem à sua certificação. Quais as vantagens e desvantagens que daí adviriam, também seria interessante conhecer.
Em contacto efectuado com a entidade certificadora, fuquei a saber que não tinham recebido nestes últimos anos nenhum pedido de certificação de castanha da Terra Fria e que qualquer pedido de certificação se deve iniciar sempre no inicio da Campanha anual, dado que e entidade tem que conhecer o historial dos Soutos, também me informaram que o processo se deve iniciar através da Associação dos produtores de Castanha do Distrito de Bragança.
A castanha da região de Marvão e Portalegre também poderá ter a designação de DOP

sábado, 18 de outubro de 2008


Ouro à vista em Moncorvo
Noticia do semanário Nordeste

Análise geológica na zona do“Buraco dos Mouros”, em Urros, revela fortes vestígios do metal dourado

foto
Ouro à vista em Moncorvo

Os vestígios encontrados no “Buraco dos Mouros”, em Urros, no concelho de Torre de Moncorvo, levam a crer que este local foi uma exploração de ouro no tempo dos Romanos. É bem visível uma pequena cavidade na zona do castro de Nossa Senhora do Castelo, um povoado fortificado da Idade do Ferro, com sinais da romanização e do período Medieval, com fortes características de exploração aurífera.
As potencialidades desta zona rochosa foram reveladas, no passado sábado, no Museu do Ferro de Torre de Moncorvo, pelo professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Alexandre Campos Lima. Durante a palestra subordinada ao tema “Minas de Ouro Romanas em Portugal”, o estudioso baseou-se na tese de mestrado da autoria de Carla Martins para falar sobre o “castro” de Nossa Senhora do Castelo de Urros e do “Buraco dos Mouros”.
Na óptica de Alexandre Lima, este local encontra-se na zona de charneira de uma dobra geológica, onde há intercalações de rocha negra, havendo fortes possibilidades de ocorrência de precipitação de fluidos ricos em ouro. Este metal terá sido explorado durante a ocupação dos Romanos.
De acordo com alguns historiadores, as minas de ferro têm ligação às explorações de ouro, até porque o ferro permite a criação de ferramentas para extrair o ouro da rocha. Na época da mecanização esta teoria está completamente ultrapassada, mas fazia todo o sentido há milhares de anos atrás.
Ainda no concelho de Torre de Moncorvo, o encarregado do Museu do Ferro, Nélson Campos, revela que, de acordo com uma fonte do século XVIII, houve aproveitamento de ouro aluvial no rio Douro, no termo de Peredo dos Castelhanos.

Estudioso recomenda prospecções geológicas nas encostas do rio Sabor, para detectar vestígios de ouro

Além disso, o responsável salienta ainda que, à luz de documentação do século XIX, terá existido uma mina importante de ouro entre o chafariz de Lamelas e o rio Sabor. Aliás, em prospecções realizadas por uma equipa do Projecto Arqueológico da Região de Moncorvo, em 2006, foi descoberta uma escombreira muito antiga junto a um valado, que, actualmente, está coberta por densa vegetação.
Perante estes factos, Alexandre Lima sugeriu a criação de uma equipa multidisciplinar, formada por geólogos e arqueólogos, para estudar o fenómeno do ouro numa terra rica em ferro.
Na óptica do estudioso, estes locais também podem ser aproveitados para fins turísticos, tal como já acontece noutros pontos do País. Exemplo disso em Trás-os-Montes é o caso de Jales e Três Minas, onde o município de Vila Pouca de Aguiar investiu na criação de um Centro Interpretativo, que disponibiliza visitas guiadas ao complexo mineiro.
Recorde-se que no concelho de Bragança há, igualmente, vestígios de exploração de ouro nas localidades de Guadramil e França, onde foram levadas a cabo prospecções geológicas recentemente.
Durante a palestra, Alexandre Lima falou, ainda, de diversas explorações de ouro de Norte a Sul do País e falou, em especial, do complexo de Castromil, no concelho de Paredes, do qual é responsável pelos estudos realizados.

Por: Teresa Batista

segunda-feira, 13 de outubro de 2008


Pão de Castanha

Vi esta receita no "O Quiosque das ideias" e com o preço a que anda o pão e a escassez de cereais, porque não experimentar-se?

Pão de castanhas


300gr de farinha de castanhas
2 c. sopa de azeite
sal
50gr de passas de uva
30gr de pinhões
1 raminho de alecrim

Deite numa tigela a farinha de castanhas, adicione 1 colher de sopa de azeite e sal; bata com uma batedeira manual e adicione, pouco a pouco, 1/2 litro de água, aproximadamente, até ficar uma massa bem líquida.
Lave as passas, pique-as e adicione-as à mistura. Unte uma forma baixa e larga com um pouco de azeite, deite a mistura com uma espessura aproximada de 2 cm, cubra com os pinhões e as folhas de alecrim, borrife com um pouco de azeite e leve a forma ao forno durante 1 hora, à temperatura de 200ºC; formar-se-ão pequenas gretas na superfície e uma crosta estaladiça. Sirva morno ou frio se preferir.

sábado, 11 de outubro de 2008


Inscrição da ASCRR na Segurança Social como IPSS

DATA : Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

NÚMERO : 188 SÉRIE II

EMISSOR : Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social - Direcção-Geral da Segurança Social

PARTE : PARTE C

DIPLOMA/ACTO : Declaração (extracto) n.º 329/2008

SUMÁRIO : Registo da constituição e estatutos da instituição particular de solidariedade social - Associação Social, Cultural e Recreativa de Rebordaínhos (ASCRR)

PÁGINAS DO D.R.: 40628 a 40628

Ver página(s) em formato PDF
TEXTO :
Declaração (extracto) n.º 329/2008

Declara-se, em conformidade com o disposto no Estatuto aprovado pelo Decreto-Lei n.º 119/83, de 25 Fevereiro, alterado pelo Decreto-Lei n.º 402/85, de 11 de Outubro e no Regulamento aprovado pela Portaria n.º 139/2007, de 29 de Janeiro, que se procedeu ao registo definitivo dos estatutos da instituição particular de solidariedade social abaixo identificada, reconhecida como pessoa colectiva de utilidade pública.

O registo foi lavrado pela inscrição n.º 77/08, a fls. 66 e 66 Verso, do Livro n.º 12 das Associações de Solidariedade Social e considera-se efectuado em 24/06/2008 nos termos do n.º 2 do artigo 9.º do Regulamento acima citado.

Dos estatutos consta, nomeadamente, o seguinte:

Denominação - Associação Social, Cultural e Recreativa de Rebordaínhos (ASCRR)

Sede - Rebordaínhos - Bragança

Fins - Prestar apoio social, cultural e recreativo à população, sobretudo aos mais idosos e aos mais carenciados.

Admissão de sócios - Podem ser associados pessoas singulares maiores de dezoito anos e as pessoas colectivas.

Exclusão de sócios - Perdem a qualidade de associado: os que pedirem a exoneração, os que deixarem de pagar as suas quotas durante quatro meses e os que forem demitidos nos termos do n.º 2 do artigo 11.º

22 de Setembro de 2008. - Pelo Director-Geral, a Chefe de Secção, Palmira Marques.

300759832

quarta-feira, 8 de outubro de 2008


Pudim de Castanha

Ingredientes

1/2 kg de castanha portuguesa (preferencialmente DOP)
2 colheres (sopa) de vinho branco doce ( Freixo de Espada à Cinta)
2 cravos-da-índia
2 copos de leite
1 colher (sopa) de açúcar de baunilha
200 g de creme de leite
1/2 copo de açúcar
1 colher (sopa) de chocolate em pó

Modo de Preparo

Dar um talho na ponta de cada castanha. Cobrir com água e levar ao fogo. Juntar o vinho e o cravo-da-Índia. Cozinhar durante 30 minutos. Escorrer, descascar e passar a castanha pelo espremedor. Misturar o leite e a baunilha, mexendo bem. Reservar. Bater o creme de leite para ficar firme. Colocar o açúcar e misturar com uma colher. Juntar ao creme de castanhas, incorporando bem. Colocar em taças individuais, polvilhando cada uma com o chocolate em pó.
(Não se encontrou referência ao autor)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008


A minha terra e os seus ventos





Foto de:

Regina Céu Fernandes












A minha terra e os seus ventos


Cá na encosta da serra,
Onde o vento é presente
Como quem enfrenta a guerra
É o dia-a-dia da gente

Vindo do alto da serra
Bate forte em todo o lado
É assim na minha terra
Mas ninguém sente o enfado


Não grites assim tão forte
Não te exaltes contra mim
Pois eu também sou do Norte
Donde tu vens também eu vim

Tu derrubas castanheiros
Até levantas telhados
Tu berras pelos outeiros
Fustigando os desabrigados

Consente, ó vento, que eu passe
Até ao alto da serra
Mas não me batas na face
Pois eu sou da tua terra

Tu és nosso, és do Norte
És oriundo da serra
Tu és valente e forte
És filho da minha terra


António Bernardo Pereira
Rebordainhos, 17 de Março de 2005

sábado, 4 de outubro de 2008


II Feira Internacional da Castanha
Bragança 7 a 11 de Novembro

Portugal é o segundo maior produtor da Europa. Trás-os-Montes representa 30 por cento da produção nacional

foto
Bragança recebe a II Norcastanha

Sendo um dos maiores produtores de castanha a nível mundial, Portugal deveria apostar mais na transformação deste fruto. A ideia foi avançada durante a apresentação da 2ª edição da Feira Internacional da Castanha – Norcastanha, que vai decorrer em Bragança de 7 a 11 de Novembro.

O certame, que visa promover a fileira da castanha, integra um extenso conjunto de iniciativas dedicadas a este produto. “Este ano há um reforço das actividades, pois a feira assenta nas parcerias com diversas entidades”, sublinhou o vice-presidente da Câmara Municipal de Bragança (CMB), Rui Caseiro.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008


Fotografias antigas

Um conjunto de 3 fotografias muito antigas que a Regina do Céu Fernandes, nos fez chegar ao Blog "antiga escola da Freguesia" "Tanque do Prado" e "Fonte" .
Carregue nas fotos para ampliar

A História vai-se construindo com a ajuda de todos, assim ficámos a saber por alguns comentários que além do Sr. Francisco António Silva, também o Sr. António Martins "Piloto" doou parte do terreno.
A fotografia "fonte" de acordo também com os comentários feitos parece tratar-se da antiga Fonte do Espinheiro que se encontrava embutida na própria parede!? Qualquer informação por mais pequena que seja pode ajudar.

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domingo, 28 de setembro de 2008

Carvalho Negral

FICHA DA ESPÉCIE
Nome comum: Carvalho-negral
Nome científico: Quercus pyrenaica Willd.
Distribuição: Península Ibérica, litoral atlântico de França e Norte de Marrocos

Curiosidades: na escassez de pasto as folhas servem de forragem aos animais domésticos; o bugalho, que muitos julgam, erradamente, tratar-se de um fruto dos carvalhos, não é mais do que a reacção da planta à picada de um insecto - que utiliza a excrescência produzida para albergar o respectivo ovo.

O carvalho-negral é uma árvore de copa ampla e arredondada, que raramente ultrapassa os 20 metros de altura. Em Portugal (...) podemos encontrá-lo sobretudo no interior Norte, até porque se adapta bem aos solos graníticos e xistosos



Quem nunca atravessou um carvalhal, não imagina quão errado é chamar "floresta" a uma plantação de eucaliptos. O que esta tem de estéril, aquele tem de diversidade; o que a última tem de facilidade de ignição e de combustão, o primeiro tem de capacidade retardadora do fogo; um eucaliptal esvazia aquíferos e empobrece os solos, enquanto o carvalhal tem, precisamente, o efeito oposto. A velha chaga lusitana dos fogos de Verão deve muito mais às extensas monoculturas de eucalipto e de pinheiro do que à sempre invocada - e aparentemente interminável - "falta de meios de combate". Hoje, mais de metade do coberto arbóreo nacional não é mais do que um explosivo paiol com pouca relevância biológica - uma realidade que todos os políticos e técnicos florestais conhecem, mas que tarda a ser invertida. Por isso, é mais do que altura de dar a conhecer um velho resistente da flora autóctone; uma espécie cujos bosques não só contribuem para a conservação da água, do solo e da biodiversidade, como também representam uma simultânea mais-valia paisagística e económica; ou seja, aquilo que devia ser a nossa floresta.
O carvalho-negral pertence à família das Fagáceas, que agrupa carvalhos de folhas caduca e persistente (como o carvalho-alvarinho, o sobreiro ou a azinheira, todos do género Quercus) e também o castanheiro. É uma árvore de copa ampla e arredondada que raramente ultrapassa os 20 metros de altura, com um troco mais ou menos regular e uma casca acinzentada que vai ficando fendida com a idade. As folhas aparentam-se à de outros carvalhos de folha caduca, mas distinguem-se destes pelo recorte mais pronunciado (que vai quase até à nervura) e um toque aveludado em ambas as faces, mais evidente na inferior. Como fruto, produz uma bolota muito variável, entre a forma cilíndrica e elipsóide, que amadurece em Outubro e que é apreciada tanto pelo gado como por alguns animais selvagens associados a estas manchas florestais, como é o caso do javali. Em Portugal podemos encontrar esta espécie sobretudo no interior Norte, até porque se adapta bem aos solos graníticos e xistosos, ao mesmo tempo que suporta bem a neve, as geadas e o frio característico das serranias superiores a 1.000 metros.

O reino de Torga
Entre estes locais, aquele que mais se destaca pela extensão e qualidade do ecossistema é a serra da Nogueira, às portas de Bragança. Quando seguimos pelo IP4 e passamos o alto de Espinho, na serra do Marão, é curioso verificar como a paisagem muda para melhor. Daí até pouco depois de Macedo de Cavaleiros, atravessando toda a Terra Quente transmontana, o cenário tem sempre algo interessante para oferecer - sejam bosques caducifólios ou mistos (onde o eucalipto é raro ou inexistente), olivais ondulantes, ou um dinâmico mosaico agrícola em doses equilibradas com o meio natural. Mas, para mim, é sobretudo quando entramos na Terra Fria, logo a seguir a Macedo, que o "Reino Maravilhoso" de Torga assume todo o seu esplendor: do lado esquerdo da estrada ergue-se a Nogueira, e com ela uma das maiores manchas de carvalho-negral da Península Ibérica.
Não importa propriamente de que lado abordamos a serra. Tanto faz subir pelo lado nascente, pelas aldeias de Castro de Avelãs, Gostei e Formil, como descer por Carrazedo, Alimonde e Conlelas, do lado poente; ou então seguir directamente pela estrada 206 para atingir os 1320 metros da Nossa Senhora das Neves. O que é certo é que veremos sempre carvalho-negral, ora em rebentos densos de porte arbustivo, ora em bosques mais maduros, numa bela paisagem que carrega o paradoxo dos tempos modernos: é simultaneamente extensa e residual.
É este, pois, o reino de eleição de grandes mamíferos ibéricos, como o lobo e o corço, e de uma profusão de outras espécies da fauna e da flora, sem esquecer as centenas de cogumelos e fungos que despontarão às primeiras chuvadas do Outono que se aproxima. Uma biodiversidade ímpar que se deve, em boa parte, à presença e predominância do carvalho-negral.
E como estes carvalhais sempre estiveram intimamente ligados ao modo de vida transmontano, nada melhor do que fechar a viagem com uma visita aos bons museus de Bragança: da Máscara e do Traje, Abade de Baçal, Graça Morais e Ciência Viva.

António Sá in Público, suplemento Fugas de 20 de Agosto de 2008

Fotografias de Fátima Stocker

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Lenda da torre da Princesa

foto de Regina Cáu Fernades


Quando a cidade de Bragança era ainda a aldeia da Benquerença, existia uma princesa bela e órfã que vivia com o seu tio, o senhor do Castelo. A princesa tinha-se apaixonado por um jovem nobre e valoroso mas pobre, que também a amava, e que tinha partido para procurar fortuna, prometendo só voltar quando se achasse digno de a pedir em casamento. Durante muitos anos a princesa recusou todas as propostas de casamento até que o tio resolveu forçá-la a casar-se com um nobre cavaleiro seu amigo. Quando a jovem foi apresentada ao cavaleiro decidiu contar-lhe que o seu coração era do homem por quem esperava há 10 anos, o que encheu de cólera o tio que resolveu vingar-se. Nessa noite, o senhor do Castelo disfarçou-se de fantasma e entrando por uma das duas portas dos aposentos da princesa, disse-lhe que esta seria condenada para sempre se não acedesse a casar com o cavaleiro. Quando estava a ponto de a obrigar a jurar por Cristo, a outra porta abriu-se e, apesar de ser de noite, entrou um raio de sol que desmascarou o falso fantasma. A partir de então a princesa nunca mais foi obrigada a quebrar a sua promessa e passou a viver recolhida numa torre que ficou para sempre lembrada como a Torre da Princesa. As duas portas ficaram a ser conhecidas pela Porta da Traição e a Porta do Sol.

Fonte: Diciopédia 2000

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A Fonte do Espinheiro

Já passaram mais de 20 anos desde a minha primeira visita a Rebordainhos e sempre ouvi falar desta fonte com saudade e carinho, infelizmente nunca tinha satisfeito a minha curiosidade em relação a ela, já não existia e fotografias dela (familiares e amigos mais próximos) ninguém tinha. Decorridos tantos anos chega às nossas mãos uma foto da Fonte do Espinheiro enviada pela Regina Céu Fernandes a quem muito agradeço por me satisfazer a curiosidade de tantos anos e que aqui compartilho de imediato com todos.

Fonte do Espinheiro
penso ser a foto pertença da Srª. D. Maria Lopes
(solicito a colaboração da Regina para o confirmar bem como para a autoria dos versos)


A Fonte do Espinheiro
Tem duas pedras de assento
Uma é p'ra namorar
Outra é p'ra passar o tempo

Adeus Fonte do Espinheiro
Minhas costas vou virando
Minha boca se vai rindo
Meu coração vai chorando



Satisfeita a minha curiosidade, cabe agora dizer que a mesma era realmente merecedora do orgulho e carinho que sentiam por ela, penso que se trata de uma "Fonte de Mergulho" embora não veja o tanque que lhe costuma estar associado, (mas não sou entendido no assunto) , não me recordo qual o motivo da mesma ter sido desmantelada, certamente em nome do progresso, pois na altura não era frequente dar o devido valor ao Património.
Mas pode ser que nem tudo esteja perdido, pois recordo ter escutado o actual Presidente da Junta de Freguesia dizer que era um dos seus projectos reconstruir a mesma, ao que alguém presente (não me recordo quem) acrescentou saber onde se encontravam algumas pedras. Espero que o projecto de reconstrução vá por diante e que todos colaborem com a Junta de Freguesia para a sua concretização.
Se alguém possuir mais fotos da fonte, agradecemos que nos cedam para aqui as divulgarmos.


quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Milhares na Srª da Serra

Milhares de pessoas continuam a ir à Srª da Serra

Foto: Carla A. Gonçalves

Santuário vai sofrer obras de melhoramento e receber uma Pousada de apoio aos fiéis
O santuário de Nossa Senhora da Serra, em Bragança, vai ter mais um novo espaço para acolher os fiéis que, todos os anos, ali se deslocam. A novidade foi avançada nesta segunda-feira, o último dia das novenas religiosas, pelo padre José Bento. A Confraria do Santuário pretende criar no local uma Pousada de apoio às pessoas que coordenam e ajudam nas celebrações. Mas a Pousada não terá apenas a função de “dormitório”, servirá também para outras actividades que ainda se..............

Para quem não conhece o Santuário deixamos aqui a seguinte informação:

O santuário da Senhora da Serra encontra-se localizado no ponto mais alto da Serra da Nogueira, (Bragança), a uma altitude de 1300 metros. A Freguesia de Rebordãos, à qual pertence o santuário, dista dele cerca de 10 Km. Na Serra da Nogueira, que abarca os Concelhos de Bragança , Vinhais e Macedo de Cavaleiros, nascem os rios Azibo, Fervença e a Ribeira de Vilares.
A paisagem que do seu cume se avista é deslumbrante e merece uma visita.
Esperamos em breve publicar um post sobre uma caminhada feita ao Santuário por alguns residentes/naturais de Rebordaínhos.
A paisagem que do local se avista

foto de Lurdes Pereira

fotos de Augusta Mata

domingo, 14 de setembro de 2008

Entre o Azibo e a história

Aldeia de Santa Combinha tem beneficiado com a proximidade à albufeira do Azibo

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Entre as paisagens exuberantes da albufeira do Azibo, o rico património edificado e arqueológico, a aldeia de Santa Combinha, no concelho de Macedo de Cavaleiros, tem muitos recantos onde os turistas se podem perder.
Conhecida pela Fraga da Pegada, que deu o nome a uma das praias da barragem, bem como pelos percursos pedestres e a ilha do Cabeço do Fidalgo, a história de Santa Combinha caminha em paralelo com a do Azibo.

Carregue aqui para ver a noticia toda no Jornal Nordeste
Artigo de Sandra Canteiro

foto de Regina Céu Fernandes
casa do parque do Azibo

A praia fluvial do Azibo é uma das poucas (senão a unica) que na Europa ostenta por mais que uma vez a bandeira Azul! Pertence a Macedo de Cavaleiros mas é um destino muito procurado nos meses de Verão, por nacionais e estrangeiros.

Foto de João Stocker

Albufeira do Azibo (2003)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Vinho “falado” em mirandês

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“Lhéngua Mirandesa” é a primeira marca de vinho com rótulo escrito nas duas línguas oficiais de Portugal. A Cooperativa Agrícola Ribadouro (CAR), em Sendim, aposta no Miradês para promover o vinho regional do Planalto.

“O próprio nome ‘Lhéngua Mirandesa’ já é uma marca e nós quisemos associá-la ao vinho”, explica o presidente da CAR, José Luís Almendra.


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Será uma anta?




A caminho do cabeço cercado


click to comment


Na aba lateral do blog no Link "Curiosidades" (Imagem de satelite do Cabeço Cercado encontra-se marcado (sem rigor) o local do que poderá ser uma anta ou um alinhamento.

domingo, 31 de agosto de 2008

O Hino da ASCRR

Durante o almoço convívio da ASCRR, foi-me oferecido pelo sócio fundador n.º1 e seu Vice-Presidente, Sr. António Bernardo Pereira, um CD de áudio, com a sua proposta para Hino da Associação. Como forma de retribuir a gentileza do seu gesto, trabalhei no sentido de conseguir converter os ficheiros em formato compatível com o blog e, aqui, divulgar aquele que, se vier a ser aprovado em Assembleia Geral de sócios, será o Hino da Associação.

carregue em cima da imagem para ampliar

domingo, 10 de agosto de 2008

Almoço convívio da ASCRR

Felizmente, consegui estar presente no almoço convívio da ASCRR que hoje teve lugar nas instalações da antiga escola da Freguesia de Rebordaínhos.
O almoço foi uma excelente jornada de convívio que contou com mais de 100 convivas, ultrapassando assim as expectativas da Direcção da Associação.
Antes de se dar início ao almoço, o Presidente da ASCRR disse algumas palavras aos presentes , seguindo-se a entrega ao Sr. Padre Estevinho de um voto de louvor, pela colaboração e apoio prestado, tendo o mesmo agradecido e realçado a importância da obra que se quer realizar, e abençoando a refeição que a seguir se deu início.
Pensamos que este almoço foi um passo decisivo para o longo caminho que tem que se percorrer, pois demonstrou o empenhamento e dedicação dos órgãos sociais, sócios e amigos da Associação.
Agradeço também a gentileza das palavras proferidas à equipa do blog e o carinho e amizade com que fomos recebidos por todos, deixando uma nota muito especial aos muitos que trabalharam para que o almoço fosse um sucesso.
Fotos do evento

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Respostas correctas - "Quem advinha II -

As Respostas Correctas

1 – De Espanha nem bom vento nem bom casamento

2 - Lua deitada, Marinheiro em pé (de pé) depende dos manuais

3 – Rei morto, Rei posto

4 – A cavalo dado não se olha o dente

5 – A foto foi tirada na fonte do sapo

6 – José Francisco Trindade Coelho

7 – Ordem Hospitaleira de S. João de Deus

829-05-2008

Pensamos que a falta de participação neste passatempo se deve ao facto de muitas pessoas se encontrarem de férias, ou a prepararem-se para as mesmas e ao facto de obrigar as pessoas a perderem muito tempo a pesquisarem, teremos de reflectir nesse aspecto. Curiosamente este blog tem tido mais visitas do que o de Rebordaínhos, teve no início.

Os nossos agradecimentos à Regina Céu Fernandes, que não teve tempo de completar as respostas, pois ia de férias e não tinha Internet e para a Lurdes Pereira os nossos parabéns pela excelente pesquisa realizada, que a levou a obter a classificação de 19,5 v, tendo-lhe descontado 0,5 v porque na pergunta

- 7 - A que Ordem religiosa pertencia o Sr. Padre David?

respondeu por distracção, "irmãos de S. João de Deus" quando deveria ter respondido "Ordem Hospitaleira de S. João de Deus"!

Excelente trabalho de casa que devia ser difícil de alguém ultrapassar. Lurdes, claro que não participaste para teres os convites para a sardinhada, mas faço questão, mesmo de te os oferecer, vou pedir à Regina que não aceite a tua contribuição, e gostaria muito de estar presente para te dar um abraço, vamos a ver se tudo se conjuga para o poder fazer.

As respostas da Lurdes e da Regina, encontram-se nos comentários do Post anterior. A partir deste momento os comentários deixam de estar moderados.

Obrigado!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Convívio no dia 10 de Agosto de 2008


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